Racismo, agressões e eletrochoques em Santa Catarina

segunda-feira 1º de outubro de 2012

’O que vocês, pretos, estão fazendo na área VIP?’ Racismo, agressões e eletrochoques em Santa Catarina.

Aconteceu em São Miguel do Oeste, cidade de 35 mil habitantes na região oeste de Santa Catarina. No último dia 21/9, três rapazes negros foram agredidos e expulsos da área VIP do show do conjunto Charlie Brown Jr., para onde haviam sido convidados pela organização do evento, por seguranças da empresa Patrimonial armados com dispositivos de choque elétrico. O irônico em tudo isso é que o show fazia parte da Festa das Etnias.

Os jovens são Luís Henrique de Sousa, 25 anos, professor de condicionamento físico, colaborador de uma ONG que trabalha com jovens em conflito com a lei; Luahn Henrique da Conceição Almeida, 22 anos, estudante de contabilidade do Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB), morador de Sobradinho, cidade satélite de Brasília; Marco Aurélio Barbosa dos Santos, 37 anos, motorista e microempresário. Fazem parte de um grupo de dez militantes petistas que excursiona pelo sul do país, a Caravana da Juventude do PT do Distrito Federal.

"Assim que eles entraram na área VIP, um grupo começou a fazer chacota", relata Iara Cordeiro, da direção nacional da Juventude do PT. "Luis Henrique foi provocado e levou um empurrão. Logo em seguida vieram os seguranças e deram choques nos meninos: ’O que vocês, pretos, estão fazendo na área VIP?’ Quando Luis Henrique mostrou a pulseira fornecida pela organização, um segurança disse: ’De onde é que vocês roubaram isso?’ E dando choque".

Luahn, que é asmático, levou uma gravata dos seguranças, cacetadas e eletrochoques, e desmaiou. Os jovens foram chamados de "urubus", "macacos", "pretos safados". A Polícia Militar, chamada a prender os agressores, recusou-se. Posteriormente, o segurança que liderou as agressões procurou a Caravana para tentar negociar a retirada do boletim de ocorrência, sugerindo, sem nenhuma sutileza, que o episódio pode ser prejudicial ao PT, partido do prefeito, que busca a reeleição. Na conversa, ele admitiu as agressões, chegando a alegar que precisou dar uma cacetada em Luahn, porque era mais fácil fazê-lo descer as escadas desmaiado do que se debatendo...

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