"Mulheres Negras na Primeira Pessoa" tem histórias cheias de emoção

terça-feira 5 de março de 2013

Livro traz relatos de superação de mulheres

A Articulação das Mulheres Negras do Brasil (AMNB) vai fazer, entre os dias 6 e 8 de março, o lançamento nacional do livro "Mulheres Negras na Primeira Pessoa". Em Belém, o lançamento da publicação ocorre amanhã, às 18h30, no Teatro Estação Gasômetro, no Parque da Residência, em São Brás. A organização do evento na capital é feita pelo Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), que é integrante da AMNB. A obra será vendida ao preço simbólico de R$ 10. Em Belém, junto com o livro será lançado também o calendário 2013 do Cedenpa.

A proximidade do lançamento do livro com o Dia Internacional da Mulher não é por acaso. "Mulheres Negras na Primeira Pessoa" traz relatos de 20 mulheres negras de vários Estados do País. Todas revelam histórias pessoais que têm um ponto em comum: a superação. "São todas mulheres negras e que têm pouca visibilidade. É o momento de aumentarmos a visibilidade destas pessoas", declarou Nilma Bentes, do Cedenpa. Entre as 20 histórias de superação que o livro traz à tona estão as histórias de duas mulheres paraenses. Antônia Lopes e Jaqueline da Conceição são dois exemplos de luta e determinação para mudar a realidade que as cercava desde a infância.

Antônia Lopes é bancária e sindicalista. Filha de pais analfabetos, ela desafiou o destino que já parecia traçado para mudar. Trabalhando, ela conseguiu investir nos estudos. Chegou à universidade. Hoje é funcionária concursada do Banco do Brasil, há 30 anos. "Esses depoimentos me fizeram pensar como, às vezes, a gente tem tantos exemplos fortes perto da gente e não valoriza. A Antônia fez faculdade em Marabá e se dedicou para mudar aquela realidade", destacou a jornalista e militante do Cedenpa, Elza Rodrigues. Foi Elza quem colheu os depoimentos das duas paraenses que têm a história contada no livro da AMNB. O relato de Jaqueline da Conceição também a tocou.

Jaqueline nasceu em uma comunidade de remanescentes de quilombo, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó. Além da luta contra o racismo e o preconceito, ficou conhecida em sua comunidade pela luta que travou para conter a prática comum nos municípios do interior do Estado de que as meninas de famílias pobres sejam levadas para as casas de famílias na capital para estudar. Na verdade, acabam sendo usadas como empregadas domésticas. "A Jaqueline lutou contra essa prática. Ela diz que isso é trabalho infantil", disse Elza Rodrigues.

Fonte: O Liberal

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