Estudo do Unicef mostra que a maioria das vítimas será homem e negro; situação é mais grave no Nordeste

sexta-feira 14 de dezembro de 2012

Até 2016, um total de 36.735 brasileiros entre 12 e 18 anos não chegará ao fim da adolescência.

Em Terra Firme, um dos bairros mais populosos de Belém, no Pará, a política pública chegou na frente e evitou, em um ano, a morte de algo em torno de 150 pessoas, a maioria adolescentes. Graças à implantação da Unidade Integrada Pró Paz, prima paraense das UPPs, a taxa de homicídios caiu 46%. Mas Terra Firme é uma exceção num país que derrapa na tentativa de proteger os seus jovens do risco de assassinato. Estudo divulgado ontem, no Rio, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta que um total de 36.735 brasileiros entre 12 e 18 anos não chegará ao fim da adolescência, sendo assassinados até 2016.

A previsão é sustentada pelos novos dados do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), produzidos pelo Unicef em parceria com o Observatório de Favelas do Rio, o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Direitos Humanos. Enquanto a violência contra jovens parece se estabilizar no Sudeste, o IHA cresce em proporções preocupantes no Norte e no Nordeste, justamente em cidades onde a desigualdade social está em queda. Estes resultados levaram os pesquisadores a considerar uma relação entre crescimento econômico e violência.

Os dados alertam ainda que, para cada mil pessoas de 12 anos, 2,98 serão assassinadas antes de completar 19 anos, o que representa um aumento de 12% em relação a 2009, quando o índice foi de 2,61. A maioria das vítimas é homem e negro. Para a psicóloga Raquel Willadino, coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal, o número tem a magnitude de um genocídio e demonstra que as políticas públicas não conseguiram avançar:

- O problema não é recente, o diagnóstico não é novo. Mas o resultado mostra que não estamos conseguindo avançar.

Na tentativa de buscar soluções, o programa reuniu ontem gestores de 22 experiências que desafiam as estatísticas. Uma delas é a Unidade Integrada Pró Paz de Terra Firme, que há um ano combina ocupação policial com social, oferecendo oportunidades a 650 jovens.

Cabo frio tem índice alarmante

Ao levar em conta os dados de mortalidade de 2009 e 2010, apenas para os municípios com mais de cem mil habitantes, o IHA aponta a situação do Nordeste como a mais grave. Na região, 4,28 em cada mil adolescentes com 12 anos serão assassinados antes dos 19 anos. Isso equivale a uma estimativa de 11.818 homicídios no conjunto dos municípios de 2009 a 2015. Já o Sudeste apresentou o menor valor (1,88 por mil), embora abrigue cidades onde os índices são alarmantes, como Cabo Frio, que amarga a previsão de 6,92 vítimas.

Em 2010, os adolescentes do sexo masculino apresentavam um risco 11,5 vezes superior ao das adolescentes do sexo feminino, e os adolescentes negros, um risco 2,78 vezes superior ao dos brancos. Entre as idades de 12 a 18 anos, 45% das mortes são provocadas por homicídios. Porém, para a população em geral, o homicídio representa somente 5,1%. Os adolescentes têm um risco 5,6 vezes maior de serem mortos por meio de arma de fogo do que por qualquer outro.

Fonte: O Globo

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