Anistia Internacional considera que existe um genocídio da juventude negra no Brasil

quarta-feira 3 de julho de 2013

Polícia é uma das maiores responsáveis pela execução de negros

Em mais um relatório de organização internacional (chamado “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, feito pela Anistia Internacional), divulgado nesta semana, foi apontado que no Brasil está em andamento o genocídio da juventude negra.

De acordo com o relatório, só em São Paulo, 90 pessoas foram assassinadas pela polícia apenas no mês de Novembro de 2012. E são os números da própria Secretaria de Segurança Pública que apontam que policiais militares mataram em serviço cerca de 600 pessoas em 2012.

Os números oficiais das execuções cometidas por policiais em 2012, batem os números da “guerra” de 2006, durante os crimes de maio, quando 495 pessoas foram mortas.

O relatório aponta que a PM tem uma média de execução: uma pessoa a cada 16 horas. Já entre 2001 e 2011, as polícias de São Paulo mataram 5.591 pessoas – uma média de 508 civis por ano.

Outras 1,218 vítimas foram mortas por policiais fora de serviço que supostamente intervieram ou reagiram a alguma situação enquanto estavam no período de folga. São quase 7 mil assassinatos em 10 anos, uma média de 680 ao ano, o que equivale a três tragédias de Santa Maria todo ano, mas com vítimas majoritariamente pobres e negras.

Rio de Janeiro, em termos de matanças cometidas por policiais militares, em serviço ou fora dele, fica pouco atrás de São Paulo tão somente por uma questão de dimensão territorial.

Em ambos os casos, as secretarias de segurança lançaram nota pública e contaram com o apoio da imprensa burguesa para negar “que exista uma situação grave de violência policial”, da maneira como está afirmado no relatório da Anistia Internacional. O relatório aponta, também, que os policiais não sofrem punições por seus crimes, o que é de conhecimento público no Brasil.

Da mesma forma, o documento diz que o governo lançou em setembro o Plano de Prevenção à Violência contra a Juventude Negra, chamado de “Juventude Viva”, mas cortou pela metade os recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), tornando o plano letra morta.

A Anistia Internacional peca em afirmar que as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro contribuíram para a diminuição no número de homicídios, o que é falso. A redução é meramente aparente, com truques nos dados colhidos, e, por outro lado, a repressão estatal nas comunidades cariocas foi intensificada.

Ora, se o alvo da crítica da violência é justamente a ação da polícia, não existe a menor razão de se defender as UPPs como forma de coibição da violência. Até porque já são centenas as denúncias de agressões cometidas por policiais das UPPs contra moradores.

Por fim, a UPP, como modelo de repressão, é um destacamento típico da ONU, quando esta resolve levar a “democracia” e a “segurança” para alguns países, como o Haiti. Tanto assim que o projeto UPP foi coordenado e composto por oficiais vindos da Minustah, a tropa militar que ocupa militarmente o Haiti.

Fato é que a democracia burguesa não oferece nenhuma saída ao negro e ao pobre que não seja a morte ou a repressão. As baixas entre a população negra só podem ser reduzidas com o fim das polícias e os grupamentos de repressão do Estado; armamento geral da população; direito de autodefesa e a constituição de grupos da comunidade para a segurança.

Fonte: http://www.pco.org.br/negros

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